sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Tsunami

É tão bom quando nos damos conta de que sobrevivemos às tempestades. Sabemos que iremos passar por algum tipo de provação futura e preparamos a linha e a agulha para costurar cada pedaço nosso que estará espalhado pelo chão.
E quando finalmente passamos pelo nosso Tsunami, percebemos que ele arrastou um monte de coisas dentro de nós, abalou nossos alicerces, mexeu nas nossas bases, transformou-nos de alguma maneira, mudando a nossa paisagem interior. Porém, ele não foi forte o suficiente, como pensávamos, para derrubar árvores de verdade, tornar negro um dia de sol, provocar alagamentos, mortes e calamidades ao nosso redor. Não, está tudo intacto esperando o nosso retorno - porque sempre retornamos -, cada tijolo de nossa casa, cada planta que regamos com carinho, cada vizinho amigo, calçada que fazemos a nossa caminhada, está lá, indiferente à onda gigantesca que nos atingiu. E diferente da vida real, a nossa morte terá uma ressureição e ela não será em meio aos escombros, mas em meio à promessas vivas de um futuro diferente.

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