Meu Herói

O meu herói não gosta dos holofotes. Ele não precisa provar nada para ninguém, nem alardeaer que nele moram a perfeição, a beleza, o poder e a glória. Pois o poder, mesmo sendo dele, não o faz diferente, pois ele se sente igual tendo ou não a chance de se sentir superior a tantos. O meu herói não gosta de tudo o que gosto, mas ama os meus gostos, pois sabe que eles fazem parte do que sou. Ele conhece as minhas dores e não as diminuí pela simples razão de serem somente minhas, mas me acalenta no colo, me sussurra no ouvido que as coisas vão ficar bem. Sou salva por ele, de todas as formas possíveis, mesmo quando ele mesmo não sabe que está me salvando ao ser exatamente o que é. Me salva ao ser brando na fúria da vida, ao ser terno na correria do tempo, ao ser leve no peso das imposições. Ele me salva quando acha graça de mim e de si mesmo e quando me convida para entrelaçar os dedos somente para olhar as estrelas. Me salva ao me cobrir do frio da noite, ao confessar os seus pecados, ao pôr-se de joelhos e rezar. Ele me salva quando me mostra que precisa que eu o salve, mesmo eu não tendo todos os poderes para poder salvá-lo. Ele ama, mas não se submete e sabe que para amar não é preciso se submeter. Meu herói sabe perder, errar, chorar, pedir, recomeçar. É dele meu coração, é com ele que cresço, é nele que confio. É com ele que aprendi a voar.
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