domingo, 12 de agosto de 2012

Perdão




E, Deus, então me perdoe por não ter perdoado.
Pois, o que somos se não retratos envelhecidos de nossa infância? Nem sempre cientes de nossos desvios, devaneios, erros, repetições neuróticas, auto defesas patológicas.
Quem sou eu, Meu Deus, para julgar e apontar o meu dedo, querendo o mal de quem acredito fazê-lo?
Obrigada pela chance de reconhecer que a maldade não existe na versão recém nascido, tampouco criança que anseia apenas pelo abraço e o aconchego do colo. Obrigada por me fazer entender, que por trás de cada ato, existe uma imensa engrenagem de vivências, nem sempre felizes, nem sempre saudáveis e plenas.
Como posso condenar ao infortúnio alguém que não conhece a força, a resilência, a superação?
Como posso, da ilha em que me sento, esperar que os que nadam ao relento, não cometam tantos pecados para poder, em sua ignorância solitária, se salvar?
Quem sou eu para esperar qua a consciência que me destes seja presente também dos que não tiveram a mesma benção?
Estou aqui, entendendo finalmente, que somos apenas seres humanos. Estou aqui, Te agradecendo por mais esta chance, por mais esta luz - que sempre me dás - fazendo minha mente se engrandecer de lucidez.
E Te agradeço por esse simples pensamento. Por ele conseguir fazer o meu coração ficar longe de tanta raiva, de tanto desejo de justiça, pois, assim, livre, ele passa a pesar muito menos.
Te agradeço por me fazer entender que é preciso, mais do que tudo, perdoar.
Para podermos realmente viver.

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