segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Sem Legendas
Me sinto uma aberração, um peixe fora d'água, mas não consigo gostar de assistir à televisão. Fui viciada, lá pelos meus sete anos, já fui fiel a muitas novelas no decorrer da minha existência, porém a minha relação com a telinha - mais ou menos nos últimos dez anos - é uma briga diária. Invejo as luzes azuladas que vejo através das janelas das casas, quando levo meus cães, à noite, para passear. Penso que tem alguém ali, focado, mergulhado em sua distração, alheio aos movimentos dos outros. O pior é que tento, tento bastante. Tenho dois membros da minha enxuta família viciados em televisão. Vez ou outra, chego tímida, me abanco e tento me divertir um pouco, pegando carona em alguma programação. Devo ter alguma limitação, pois não consigo! Os filmes de TV aberta se repetem como voltas na roda gigante, novelas não aguento nem o som, esportes odeio assistir, exceto torneios de tênis (que são esporádicos), as séries são ótimas, mas não suporto os intervalos. Os tele-jornais são ensanguentados e deprimididos, os canais históricos, detesto - sim, sou ignorante, mas reconheço. Enfim, sou um ET na terra movida pela TV. Eu gostaria sinceramente de aguardar ansiosa por alguma programação, pois o que fazer à noite, sem televisão? Minha salvação são os livros, os filmes locados (já sou quase sócia da Miragem Vídeo) e a Internet. Talvez, por esta razão é que eu durma cedo. Enquanto a maioria está com uma caneca de café, pipoca ou cerveja na mão em frente à sua fiel companheira, estou voando em alguma ilha distante e fazendo viagens surreais pelos meus sonhos, resgatando alguma imagem reveladora da minha telinha subconsciente - sem áudio, sem limites e sem legendas.
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