Um amigo, certo dia, comentou que minha escrita é bipolar.
Fiquei pensando e, apesar de eu não ser uma pessoa bipolar (já estive em consultórios psicológicos e posso ser tudo, menos isso), acho mesmo que meus textos precisam de medicação para bipolaridade. Analisando mais a fundo a constatação sincera do meu amigo, vi que sou doce e amarga, em intervalos bem curtos de tempo. Porque não consigo sentir nada "mais ou menos", minhas alegrias me levam ao choro tanto quanto minhas tristezas. Quando estou muito triste chego a me questionar se me iludi pensando ser feliz no decorrer da minha existência. Assim como minha felicidade parece apagar, feito borracha, qualquer passado inglório da minha mente. Me entrego facilmente às pessoas, às causas, aos sentimentos. Me rasgo por dentro quando penso que decepcionei alguém e tento sempre colocar a justiça acima de tudo. Talvez, por isso mesmo, vivendo em um mundo tão egoísta e injusto, é que minhas emoções atinjam picos tão vertiginosos e contraditórios, pois a instabilidade na normalidade das pessoas, me confunde, me transtorna. Fico tão estupefata com todos os absurdos que são considerados aceitáveis que penso, muitas vezes, em me jogar nos trilhos do trem. Mas como sou uma otimista nata, deixo os trilhos para depois, pois sei que verei ou presenciarei algo que vai me encher de esperança e, como escrevo para aguentar o mundo, vou deixar as mágoas de lado e vou fazer dos pássaros, das flores e do sol, minhas palavras.

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