terça-feira, 14 de agosto de 2012

Tempo, tempo, tempo...


Ainda temos muito tempo, nós de quarenta e poucos ou tantos anos. Não todo o tempo do mundo, mas ainda dá tempo de escrever algumas histórias novas. Pois, já escrevemos muitas. Já criamos  nossos filhos, plantamos nossa árvore, conquistamos nosso espaço no mercado de trabalho, passamos nossos ensinamentos, inventamos poesias e cartas de amor dramáticas. Já sofremos - muitas vezes - por amor e já sabemos de que forma ele é melhor para nós.
Estamos na parte do caminho em que as partidas são mais frequentes do que os nascimentos, mas que a compreensão da vida nos faz fortes para encarar todas as coisas ruins com menos desespero.
Porque ainda temos muito tempo de conquistar. Não o mundo, como pensávamos lá no passado, mas aquelas outras coisas que deixamos passar em função de tantas outras. Ainda temos fôlego e pernas e braços e cérebro para escalarmos muitas montanhas, não tão altas, mas ainda magnânimas.
O que não podemos mais, é deixar o tempo passar. Porque não podemos mais protelar nossos desejos, pois o Nosso Dobro de Vida, já será muito. É hora de escrever outras histórias. Para quem só se entregou ao trabalho, talvez seja a hora de mudar a forma de trabalhar. Para quem só se dedicou à familia, ainda dá tempo de inventar um trabalho, de se sentir útil, parte, necessário nas engrenagens da vida. É hora de fortificar os laços para mantê-los firmes para o que está por vir, porque o que virá não será fácil. Talvez seja a hora de se entregar à alguém, para aqueles que sempre temeram a entrega ou que se decepcionaram com ela. Porque é hora de parar de jogar, de derrubar o tabuleiro e as peças e olhar para a paisagem que podemos estar perdendo enquanto estamos só preocupados em ganhar.
Tempo, tempo, tempo...
Não temos mais todo o tempo do mundo, mas aindá dá tempo de recomeçar.

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