segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Sexo e Felicidade
Essa onda de peladas me faz pensar.
Muitos acham o máximo essa demostração de pura liberdade, outros criticam a falta de controle dessa liberdade exacerbada de expressão.
Eu penso.
A sexualidade e suas façanhas...
O normal, principalmente aqui no Brazil, é se pensar que se é plenamente feliz quando se transa muito (conclui-se que crianças e idosos são seres profundamente infelizes).
Se fosse assim, as profissionais do sexo seriam as mulheres mais realizadas do mundo.
Mas essa lenda (e muitas outras ligadas à ela) persiste e é justamente por isso que ninguém mais quer envelhecer, pois a velhice representa a ausência total de sexo (com raras exceções.)
Mulheres e homens felizes são aqueles com todas as características de bons e perenes amantes, que incluí muitos músculos, muito bronze, muito cabelo comprido (nas mulheres, claro), muita grana (para eles ainda, claro) pro motel com espumante, muita roupa provocante, de grife, pouca gordura corporal no mesmo índice de bom papo e inteligência, porque não é bem o que interessa.
Estamos na era das quantidades.
De curtidas, de grana, de fãs, de "amigos".
E de sexo.
"Quantos você pegou?"
Já ouvi esta frase sair da boca de meninas e meninos que recém deixaram o babador sujo de caldinho de feijão, para ser lavado na máquina de suas mamães.
E, que fique claro, ouvi há muitos anos, dirigindo o meu carro na madrugada, ao ser a carona da hora depois de uma festa de pirralhos.
É boa a liberdade conquistada de transar cedo, muito, em lugares inusitados? A liberdade de transar por transar, de fazer número, de exibir os seus atributos sexuais ao bel prazer?
Pode ser que sim.
Mas é mais feliz quem o faz?
Absolutamente não.
Assim como nem sempre os mais prefeitos anatomicamente são os melhores de cama, assim como os gordinhos e os feios são furacões sexuais (ah, não sabia, inocente?).
Assim como quantidade não tem nadica de nada a ver com qualidade.
Assim como correr pelada não tem nadica de nada a ver com liberdade.
Mas com desvio de conduta, problemas psíquicos, exibicionismo patológico (ou rentável, sabe-se lá) e por aí vai.
Sexo é bom?
Não.
É maravilhoso.
Mas quando ele foge do propósito, da essência da sua existência e serve como moeda, barganha, chantagem, histeria, mania, auto flagelo, enfim, quando foge da normalidade do simples prazer intenso e da intimidade gostosa entre dois, não é mais saudável, nem bonito.
É doença.
Quando se precisa provar, comprovar, alardear ou provocar é porque a coisa não anda muito boa.
E o que era para ser solução, virou problema.
Que pena.
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