quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Minhas Mulheres


Não amo todas as mulheres da minha vida, mas amo, sem reservas, as duas que moraram dentro mim por um tempo.
Elas encabeçam a lista de agradecimentos e pedidos nas minhas orações, me deram um sentido real à existência, fazem eu rir em proporções imensamente maiores do que chorar. E, se choro, não choro por mim, choro por elas.
São a bússola da minha jornada.
São parceiras neste tão complicado existir feminino.
Porque ser mulher não é nada fácil e ser mãe de mulher exige um diploma a mais na carreira da vida.
Como animais que somos, estamos sujeitos à um certo nível de competitividade quando se trata de dividir o Todo com um sujeito do mesmo sexo.
Não chegamos ao ponto (ainda) de mostrar os dentes ou delimitar território com a urina, mas temos (e como) diversas formas de marcar a nossa presença nessa luta pela continuidade.
E a luta acontece dentro da nossa casa justamente para que possamos aprender com os erros e acertos dos nossos pais.
A repudiá-los e não copiá-los ou nos servir de exemplo.
Muitas vezes, nessa batalha surge a doença - e haja mãe competitiva, invejosa e sabotadora - mas não sendo eu uma doutora na área da mente, me abstenho de desenvolver este assunto que rende, no mínimo, um livro.
Falo daquela corda bamba em que todas as mães andam, mas que às mães de mulheres foi acrescentado uma malabarismo extra com bolinhas coloridas.
Seria muito relevante para a saúde mental mundial que todas as mães de meninas entendessem que estão lidando com elas mesmas, em todas as fases do seu próprio desenvolvimento.
Vamos, todas reunidas, entrar na TPM. Vamos querer proteção, abraços e beijos. Vamos nos ressentir mais com palavras não pensadas. Vamos nos reunir para não entender os homens e nos reunir para acusar as nossas próprias fraquezas.Vamos nos sentir mais responsáveis e também mais injustiçadas. 
E vamos sentir tudo isso, de preferência, ao mesmo tempo. Cada qual no seu papel, que fique claro.
Uma casa com filhas mulheres tem muito mais gritaria, histeria, choradeira.
Mas também tem mais beijo, abraço, pedidos de desculpas, lágrimas de remorso, a consciência da dor profunda e bonita de existir.
E pilhas de absorventes nos armários da dispensa.
Filhas mulheres não pensam que suas mães são como as heroínas de contos de fadas porque, diferente dos homens, sabem que todos os atos heroicos que realizamos, todos os dias, são parte do cenário.
Filhas mulheres criticam a nossa roupa, mas nos ajudam na produção espetacular para uma festa de fim de semana.
Dizem que a gente enche o saco com um sorriso nos lábios, pois encher o saco está inserido no contexto feminino e elas sabem.
Uma mãe de menina, penso, sempre entenderá melhor uma outra mulher.
Entenderá mais que uma vida plena não depende só da plenitude no trabalho, no dinheiro, na construção ávida e focada do futuro.
Saberá mais sobre sentimentos.
E o quanto eles orientam as nossas vidas.
A dos outros.
Obrigada, filhas.

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