domingo, 16 de novembro de 2014

Minhas Pontes


Deixo para atravessar cada ponte quando ela aparece na minha frente.
Assim mesmo.
Não planejo muito nessa vida.
Não sou de sentar com as pernas cruzadas, no chão, e colocar no colo planilhas e mapas que sirvam para facilitar o meu percurso.
Simplesmente vou.
Não postergo a felicidade, nem antecipo a devastação de um Tsunami iminente. Quando ele chegar, vou estar de pé, deitada ou seja lá como for e recolherei os meus cacos depois. 
Trago a felicidade de baixo do braço, na forma de luzinhas de Natal, de deslizar os pés em um tapete felpudo, de enfiar o meu nariz no pescoço de cheiro familiar.
Aquela viagem, aquelas férias, aquele bônus ou encontro serão alegria no momento de acontecerem e, enquanto isso, a minha vida tem que ter graça como deve ter graça a segunda feira e não somente os finais de semana.
Se não tiverem, arrumo uma forma para terem.
Não vivo de sonhos belos e distantes, vivo de pequenas fantasias que visto no meu dia a dia, trazendo um pouco de irreverência à sisudez do tic tac do relógio que não pára.
Certa vez, confessei meus pequenos prazeres em estar viva à uma pessoa que me ouvia. Quando terminei, ela me olhou em silêncio por um tempo e depois disse que eu me contentava com muito pouco.
Pensei, depois disso, se eu seria mais feliz comandando um monte de funcionários, dirigindo uma empresa. Se eu seria mais feliz distribuindo autógrafos, fechando grandes negócios, arrematando obras de arte.
Apenas pensei, pois não era nada disso que eu queria fazer no momento e se cheguei aonde estou, estando feliz com o que consegui, não vou perder tempo elaborando como seria um momento que não vivi.
O hoje é hoje.
O amanhã é uma ponte que ainda não chegou e quando chegar, vou atravessar.
Assim mesmo.

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