domingo, 2 de novembro de 2014

Rega Diária


O investimento em uma relação nunca acaba.
Quem pensa que terá uma amizade, um amor ou qualquer outra relação pessoal, investindo pesado na dedicação inicial e esquecendo de manter os cuidados, será alguém de relações que morrem prematuramente.
E o investimento compreende uma série de atitudes que devem ser moldadas, jamais padronizadas, conforme os sujeitos envolvidos neste interlúdio complicado que é a troca de afetos.
A dificuldade nos relacionamentos se dá justamente pela falta da leitura atenta das atitudes que os alimentam e daquelas que põe todo o investimento inicial pelo ralo.
Se tenho uma amiga que precisa se sentir sempre valorizada com pequenos elogios (provavelmente por ter a auto estima abalada) e consigo enxergar essa necessidade, não custa nada eu acariciá-la mostrando o quão bonitos estão os seus cabelos, a sua pele. Não irá me matar se eu, que sempre procuro ser absolutamente sincera, omitir que ela anda com olheiras terríveis, pois sei que essas olheiras não irão passar até o resultado do exame, que ela tanto teme, ficar pronto.
Se tenho um namorado que adora acordar tarde nos fins de semana, não vou ficar aporrinhando com barulhos discretos ( mas bem audíveis) na intenção de ter companhia cedo para o café da manhã. Ou vou adiar esse café para mais tarde.
São pequenos gestos, baseados no que conhecemos do outro, mas que, muitas vezes, por egoísmo, fazemos questão de desconsiderá-los. Ou os consideramos como fazemos com tantas outras coisas relevantes: de vez em quando.
De vez em quando não serve para o bom de uma relação, apenas para o ruim.
De vez em quando podemos ser meio traíras, grossos, chatos, interesseiros, porém, em contrapartida, não podemos ser amáveis, condescendentes, amorosos, interessados, atenciosos com quem amamos, só de vez em quando.
Preservar é se entregar.
Uma linda planta do nosso jardim morre se não lhe dermos água, poda, vitaminas ou terra fértil, exceto pelas mais rudimentares, pois essas não precisam de quase nada, nem de nós mesmos.
Sou um ser que ama conversar.
Sobre tudo, exceto política. Perco o interesse por quem só sabe fazer monólogos e discursos e me alimento da troca verbal tanto quanto da troca física.
Ora, se quem me ama está disposto que eu o ame, custa bater um papinho?
Acho que não.
Quando temos ciência dos fatores relevantes em uma relação, mas não temos saco para investir nas pequenas atitudes, ou estamos loucos que o amor acabe ou somos tão narcísicos ao ponto de nos considerarmos o melhor da relação.
Troca.
Eu lhe dou, você me dá.
A mesma coisa?
Não. Aquilo que nos faz felizes, mesmo que sejam coisas diferentes entre si, mas respeitadas entre ambos.

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