quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Ele está indo.
Acredito que as pessoas que me leem pensam que sou triste e furiosa.
Não sou nenhuma coisa, nem outra.
Acredito que as pessoas que me leem pensam que gosto mais de bicho do que de gente.
Uma verdade não absoluta.
Amo as pessoas, mas depois delas debandarem da infância, muitas vezes, elas criam crostas e comportamentos que as distanciam do principal motivo de viver: a vida em si.
E isso me afasta delas.
Os animais são felizes pelo simples fato de estarem vivos, ao contrário de nós, que criamos pontes ao invés de desfrutar de um mergulho.
E não admito o não reconhecimento das bençãos diárias, por isso não tolero que, como forma de agradecimento, as pessoas não se doem ao máximo na tentativa de fazer o certo.
Para elas e para o mundo.
Os animais fazem o certo por instinto, esse que apagamos quando enxergamos um bolso na nossa calça, um pódio lá na frente. Ou, ao contrário, por um pódio ou por um bolso recheado viramos esses seres idiotizados que vivem se auto sabotando.
Os animais me encantam, pois são íntegros do começo ao fim de suas vidas, fazendo o que vieram fazer: preservar a sua espécie. Mas sem ganância, nem fúria. Apenas com as ferramentas que possuem.
E, sim, hoje estou triste.
Escolher viver cercada de animais, como eu, me fez enxergar o quão covardes, fracos e fúteis somos e o quanto exacerbamos os valores errados em prol de um copinho de espumante cara.
Meu cãozinho amado está morrendo.
E, o pior de tudo, tive que escolher a hora dele partir, pois apesar de lutar bravamente, o seu corpinho idoso está se entregando.
Amanhã, depois de todas as possibilidades, vamos nos despedir.
Porque, mesmo ele sendo esse exemplo de coragem, de falta de auto comiseração e de resistência, a infinitude, nesse planeta, não pertence à nenhuma espécie.
É só um cachorro, pelo amor de Deus, muitos pensarão.
Principalmente aqueles que não entendem o que não enxergam.
Essas conexões de vida e de energia, de troca, de vibrações que se escondem nos lugares menos óbvios, pois são para os olhos que só funcionam em sintonia com o coração.
Peter.
Esse Scottish Terrier que briguei em casa, para ter.
Que me deu muito e agora me ensina a ter coragem.
Coragem de não ser egoísta por deixá-lo parar de sofrer.
E corajosa por ajudá-lo à partir.
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