quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Cedo, tarde ou agora?


Cedo ou tarde, quem sabe?
A gente é quem sabe quando, mesmo sendo cedo ou tarde para tantos, a hora deve ser agora.
De que? 
De tudo que foi protelado feito balde de um poço.
Um poço que enche, no passar dos dias e anos, da água que precipita e despenca de cima.
Um balde que vai ficando pesado de tanto líquido acumulado e ameaça afundar em tudo que transborda de si mesmo.
Cedo.
Um balde menos pesado.
Tarde.
Um balde içado com a força do herói da história em quadrinhos, com cada bíceps, tríceps à mostra, no trabalho nada brando, mas o trabalho que tem que ser feito agora.
Já não importa mais tanto cálculo matemático que impeça o primeiro movimento, sempre o mais difícil, pois na dormência do esforço, tudo acaba ficando mais fácil.
As dores.
Que virão no relaxamento das tensões, essas mesmas que nos impelem à colocar um pé na frente do outro em direção ao poço que sempre foi visto de longe, nos provocando o conforto de existir sem mudanças.
Como cenário de quadro.
Mas é hora de machucar as mãos ao segurar firme na corda.
Que segura.
O tudo que foi protelado.
É hora de puxar o balde e beber dessa água que, limpa ou nem tanto, foi ficando ali por culpa nossa e das chuvas.
Até agora.
Esquecida no meio do caos de tantas tarefas.
Adormecida.
Onde iremos saciar a sede, lavar as mãos e os cabelos ou, com dor, descobrir o limo em cada gole.
E aí colocar uma pedra que feche. Encerre.
E procurar uma nova maneira de matar a sede.

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