sexta-feira, 17 de outubro de 2014

É ruim estar só?


Mônica: Significa “só”, “solitária”, “viúva”
Retirado do dicionário dos nomes, sim senhor.
Me ajoelhei e aplaudi de pé esse acerto, exceto pelo viúva que agradeço, muito obrigada, mas dispenso.
Adoro a minha companhia.
Adoro.
A maioria das coisas que amo fazer é sozinha.
Corro sozinha (tenho pavor de grupos de corrida e suas camisetinhas definindo o quão corredores são), tenho imenso prazer em comer sozinha, amo ir ao cinema tendo um saco de pipocas como companhia.
Sentar em uma banco de praça e olhar tudo.
O céu, as pessoas, os passarinhos, as flores, o verde.
Com o meu peito subindo e descendo na respiração (solitária) como uma conversa silenciosa sem pessoas envolvidas.
Me encontro em um livro.
Sozinha se lê.
Em uma música.
Sozinha se raspa a pele e se deixa penetrar a melodia que nos toca.
Em escrever.
O ato mais solitário que existe.
Tenho pensamentos diários que se fossem ligados na tomada queimariam todos os aparelhos elétricos e eletrônicos da casa.
Pensamentos meus.
Não gosto de contato físico de estranhos: aquele corpo que me toca na fila do supermercado, aquela pessoa que engole o meu rosto ao conversar, que se enrosca, se impõe sem ser chamada. Beija sem ser convidada.
Adoro conversar, mas as conversas andam girando muito em volta de umbigos e se não é para trocar nada, me basto sozinha.
Sem despeito, por favor não me interprete mal.
Apenas aprendi que a melhor dependência que podemos ter é de nós mesmos. 
E mesmo essa, às vezes, falha.

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