terça-feira, 1 de outubro de 2013
Palhaços
Muitas vezes brincamos com aquilo que mais nos dói.
A intenção?
Penso que minimizar a dor e ao mesmo tempo colocá-la para fora de uma maneira que o pedido de socorro seja tão sutil à ponto de não se tornar uma lamúria.
Só quem decifra o código dos brincalhões é aquele que entende as entrelinhas, aquele que não assiste à um filme, mas o devora, sugando a parte menos suculenta, mas mais nutritiva.
Enquanto os palhaços fazem se desmanchar às gargalhadas uma platéia desatenta e a fazem pensar o quão são bem resolvidas essas criaturas, os outros ficam no canto, ruminando a maneira de acalentar quem quer mais colo do que risadas.
Se desmerecendo, trazendo à tona os infortúnios em forma de "stand up" pessoal, quem sabe rir de si mesmo é muito bem resolvido. Mas tão bem resolvido à ponto de tornar o seu drama pessoal uma sátira e fazer com que a cena de uma facada seja tão engraçada quanto à de um tombo despretensioso.
Para os que tem uma história de tristeza, se ela não for a maior tragédia do Mundo (vista pelos outros), a vergonha de senti-la pode revertê-la em ironia.
Mas ser palhaço e rir o tempo inteiro dos próprios tombos tem um preço alto.
Quando suportar não for mais possível, as lágrimas de dor poderão ser confundidas com as de um grande e imenso sorriso.
E será preciso gritar.
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