segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Tempestade em Copo D'Agua


Às vezes eu tenho uma vontade de chorar.
De jogar algumas palavras do penhasco e suicidá-las de forma impensada, levando com elas um monte de outros sentimentos.
Meus. Dos outros.
Mas não o faço.
Porque sei que essa queimação, essa urgência de satisfazer a vontade do vulcão interno que anseia por cuspir labaredas, será tão rápida quanto intensa.
E varrer as cinzas, recolher os mortos, será mais doído do que esperar que essa onda, louca por quebrar forte, volte, regurgitando um pouco de areia, mais calma, pronta para virar marola, curva branca onde os golfinhos se jogam, fazendo giros.
Vez ou outra meus ventos se tornam tornados e perco um pouco de mim mesma cada vez que cedo aos caprichos da violência com que eles levantam a terra, a grama, o chão que piso.
Aceito os temporais  e os raios que brilham intensos, fantasmagóricos e ruidosos, pois sem eles as chuvas não hidratam, as mentes não se aquietam na falência momentânea da bondade da natureza.

Os entendo.
Mas mantenho cada fagulha que se diz pronta para o incêndio, guardada.
Pois me conheço.
E sei que assim que fecho os olhos para esperar a tempestade, já os abro com o sol nascendo.
E me pergunto sempre:
Por que quase derramei tantas lágrimas?

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