sábado, 5 de outubro de 2013
The End
Que na velhice, inevitável tanto quanto a morte, nem sempre nesta ordem, mas se nesta, eu não vire carma, depois de vida.
Que eu aceite as minhas limitações e faça delas motivos para um pouco mais de aprendizado e não berço de lamúrias.
Que eu não me vitimize depois da longa batalha, mas faça das cicatrizes, lembranças da minha sobrevivência e não fonte inesgotável de barganha para com aqueles que amo.
Que eu olhe para trás, não por muito tempo, apenas pelo tempo certo para colher as flores e não me importar com os espinhos que, vez ou outra, sangraram os meus dedos.
Que eu consiga sorrir, ah e muito, mesmo não tendo mais o sorriso tão branco, mas que a luz que não vem de fora, mas de dentro, ilumine os meus olhos contornados por linhas.
Que eu não culpe a vida, os outros, por tudo que não tive coragem de ser, pois esse é o caminho mais fácil, mas o mais duro.
Que eu não me pense detentora de todos os direitos do Mundo, pois estou mais velha, assim como o adolescente está mais que a criança e a criança mais que o bebê.
Apenas isso.
E que eu não acredite que tenho a sabedoria de tudo apenas por estar velha, pois vou continuar a crescer, não mais em vida, mas em espírito e não mereço mais do que todos os que passam pela dor de existir, na mudança sublime de cada estágio, tão grandioso quanto doído.
Depois de bebê.
Depois de criança.
Depois de adolescente.
Depois de adulto.
E que eu tenha a humildade de me ver apenas como pessoa que finalmente compreendeu que temos sempre que fazer o melhor.
Para poder, com dignidade, morrer.
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