domingo, 13 de outubro de 2013
Bicho do Mato
Somos bicho.
Não do mato.
Mas da selva.
De pedra.
Que não morde, mas dilacera, faz em pedaços.
Não o corpo.
Mas todo o resto.
Bicho que grita alto.
Mesmo parecendo que faz silencio.
Bicho que rasga a carne para depois estancar o sangue, lambendo.
Fingindo pena, para melhor degustar o abate.
Somos bicho.
Quisera do mato.
Pois bicho da selva de pedra é duro, petrificado.
Gélido. Mumificado.
Anda em bando, mas não o abraça.
Faz multidão, arruaça, mas não protege.
Aglomera, mas não une.
Cria, procria, recria e mesmo assim não se apega.
Porque bicho da selva (de pedra) gosta de tudo que brilha.
Mas não é o sol.
Que vale.
Mas não é a vida.
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