sábado, 26 de outubro de 2013

A Idade que Tenho


E no quarto sem luz, sou menina.
Onde crescem os seios, os medos.
Dessas mudanças tão bruscas da vida que me fazem moça na ligeireza dos passos dos anos.
Acordo madura, com o gosto de muitos beijos nos lábios, agora abertos somente para uma outra boca.
E velha, ajeito as flores do meu jardim com a certeza de que não tenho certeza de nada e que a felicidade não segue traços feitos com mãos firmes, pois eles se tornam curvas, sobem rampas e se atiram em mergulhos assustadores, mas cheios de frescor.
Bebê, choro para tantos ouvidos que não me escutam, tantas mães que não me acolhem e não me amparam.
Sou raio de sol na minha infância onde tudo parece imenso, principalmente as esperanças, as alegrias pequenas, a rotina dos pães com manteiga, do leite fumegando na xícara, do olhar das gotas de chuva escorrendo na vidraça.
Tenho tantas idades em uma.
Sou pequena e grande, jovem e idosa, adolescente, forte, fraca, tudo junto.
Sou um mistério e uma resolução para mim mesma.
Sou boa, má, rica e pobre na crueza da existência.
Sou tão jovem
Tão velha.
Tão triste.
Tão alegre.
Tão humana.

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