sábado, 13 de setembro de 2014

O que importa para nós


Ela viu.
No momento em que ele começou a tecer o primeiro fio frágil do seu sonho.
Ela viu.
Porque o amor vê coisas invisíveis, pois observa com outros olhos.
E ele segurava cada fiozinho com a força do coração, a força mais poderosa do mundo. E escalava o sonho, que era seu, com as veias cheias daquelas coisas que alimentam os que sonham.
Ela conhecia, desde o princípio, o tipo de dor que o esperava no final, mas quem ama, às vezes, precisa suportar a dor do outro, pois ver a dor de quem se ama é menos doído do que ver ele desistir de viver.
Porque sonhar é conservar flores no peito e é possível vê-las murchar, mas é impossível aceitar que outras mãos arranquem suas pétalas antes delas finalmente tombarem.
E ela jamais seria essa mão.
Ela seria a mão e o colo que o receberia com as novas promessas das sementes guardadas depois que a primavera fosse embora e o inverno congelasse as esperanças.
Ela sabia que os invernos devem ser passados juntos e não interessa que o frio seja mais intenso para o outro, não se questiona a intensidade do frio alheio quando se ama, apenas se dá o máximo de calor.
Então o sonho dele ruiu. Ele sofreu. Virou gelo, secou seu colorido, ficou com fome, sede e dor.
Que passou.
E então ele viu.
No momento em que ela começou a tecer o primeiro fio frágil do seu sonho.
Ele viu.
E ele jamais a faria desistir.
Pois, no final, ele estaria ali.

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