segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Ela, essa monstra!
Sim. Ela, pois é feminina essa palavra e não poderia ser o contrário.
Essa coisa que nos tira o sono, nos massacra, nos rouba energia, transfigura os nossos prazeres em pecados.
E ela adora atacar as mulheres, o alvo mais vulnerável para ela se esbaldar enquanto saliva de prazer.
A culpa.
Quando eu era editora de revistas, em uma delas mantinha uma crônica, na última página.
Certa vez, resolvi escrever sobre culpa e quase não consegui ler todas as mensagens de desabafo e identificação em relação ao assunto.
Adivinhem? Todas mulheres.
Pobres almas atormentadas por essa fera de dentes pontiagudos, prontos para perfurar a nossa tenra alma.
Como um mascote monstruoso, a culpa acompanha as mulheres, fielmente, lado à lado, no decorrer de toda uma história onde nem a fumaça da queima de sutiãs afugentou esse ser faminto.
Ela fica empoleirada na nossa mente nos dizendo que "não!", não deveríamos ter transado tanto na nossa juventude e "sim!" devíamos transar mais com os nossos maridos, pois se não dermos conta de tanto recado, há quem dê, "sim, senhora!" - ela diz mostrando os caninos podres em uma risadinha de escárnio.
Não coma, não beba, não dê folga no puxa, levanta, estica. Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Não compre, não se sinta bonita até pesar 38 quilos!
Nunca somos, nem fazemos o suficiente por nossos filhos, maridos, amigos, chefe porque a sociedade trabalhou tão bem em adestrar a monstrinha, em benefício próprio, que fez de nós marionetes patéticas de nós mesmas.
Marionetes que puxam a pele do rosto até não existir mais mobilidade, retocam as raízes dos cabelos de quinze em quinze dias, tem vergonha de dizer que não ganham dinheiro (apesar de trabalharem feito escravas), colocam peito, bunda, coxa, tudo em excesso, se recusam à envelhecer.
Culpa de quem? Ora, de quem mais? Da culpa!
Pois se ficarmos para trás (em qualquer quesito, pois mulher é competitiva às raias da loucura), lá vem ela mordiscar o nosso tornozelo para lembrar que nossos passos estão lentos.
E sabem o que é o pior de tudo?
A maioria dos culpados, só o é por ser alguém extremamente correto.
Porque os bandidos, sociopatas, cruéis, vagabundos e toda a ordem de desprovidos de adjetivos qualificáveis, são aqueles que nunca sentem culpa.
Por isso, antes tarde do que nunca, eu digo: relaxem!
Vamos ser sempre piores e melhores do que os outros e, sim, tentamos ser melhores como pessoas, mas somos humanas, pelo amor de Deus!
Está na hora de dar um basta nessa companhia perniciosa que nos impede de ter uma felicidade plena, mesmo que imperfeita, pois perfeição não existe.
Está na hora de chutar pra bem longe essa coisa desagradável.
Ela, essa monstra!
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