sexta-feira, 19 de setembro de 2014
435
Esse número representa o número de postagens que tenho nesse blog.
Quatrocentos e trinta e cinco pensamentos íntimos, muito íntimos, que se fizeram palavras na necessidade de me ler.
Pois só me leio como pessoa quando transformo em palavra a chuva torrencial que me inunda, me transborda, me afoga, mas também me salva.
Comecei cedo à me salvar escrevendo.
Eram agendas, no princípio, com reclamações, conquistas e reflexões. Tudo escrito com o dia marcado. As guardo até hoje, pois me mostram a evolução da minha alma ao longo de 34 longos anos.
Fui uma filha que escrevia cartas para me explicar em um crescimento que nem sempre compreendia.
Fui esposa que discutia a relação no papel e o deixava embaixo do travesseiro ou na mala pronta para viagem.
Sou mãe que, muitas vezes, desabafa em mensagens no celular.
Porque acredito muito na palavras.
Elas são sentimentos verdadeiros, pois foram elaboradas em um processo bem mais delicado do que simplesmente permitir o jorro de coisas ditas que podem ser mais ditas com a irracionalidade, com o humor do que com a verdade.
O texto não mente.
Nunca.
Porque é no silêncio que escutamos o nosso coração e é no silêncio que ele fala.
Nem sempre falo de mim, mas de coisas que preciso colocar para fora, pois foram ou são algum cenário pintado na paisagem da minha vida.
Deus deve ter desencapado os fios com os quais fui feita, pois nada me passa despercebido. Nada.
Uma aranha que escala a parede e luta com a umidade, na hora em que estou no banho.
A luz no verde das minhas plantas.
Os diversos trinados que ensurdecem os ouvidos para as mazelas do mundo.
O azul, o laranja, o rosa, o breu do céu.
O cavalo cansado, a bebida do mendigo, a violência e a beleza da existência.
E já percebi que não é a qualidade dos meus textos que encantam as pessoas, mas a forma como consigo, vez ou outra, penetrar nos anseios de cada um.
Tenho queridos amigos que sempre me dão retorno após eu escrever algo.
E noto que marco cada um com aquilo que representa algo significante na sua vida.
"Aquele foi o teu melhor texto!"
Não.
Foi onde tu te encontrou.
E se faz festa dentro de mim quando percebo que sou capaz de fazer alguém se encontrar, se identificar, sorrir, chorar e sentir.
Pois nesse momento abraço, dou a mão, sento junto, faço companhia e amo cada um que entra nas profundezas do que realmente sou.
E sou muito feliz de tocar algo muito mais profundo do que a pele.
E de ser tocada também.
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