segunda-feira, 30 de junho de 2014
Me Leva
Já que a nossa alma encontra o obstáculo da pele, que possamos voar o corpo na imensidão daquela alegria pura de uma viagem.
Nesse voo que corta oceanos e angústias e sobrevoa problemas que se tornam diminutos feito as colinas vistas de cima. Problemas que viram nuvens e se deslocam para longe, não inexistentes, mas capazes de dar uma trégua na chuva torrencial sobre as nossas cabeças.
Nesse destino que nos faz diferentes, não do que somos, mas do que queremos que os outros pensem da gente.
Pois lá fora, além de ultrapassarmos as delimitações geográficas chamadas fronteiras, deixamos para trás aquele eu reprimido por obrigações e condutas, por normas de pessoas que são manada e que devem se comportar como tal conforme o pasto que se obrigam à comer.
No momento que entramos em um avião, a mágica acontece. Não, acontece antes no desfrute dos lanches ordinários e caros do aeroporto, mas degustados como se degusta um banquete. Como se degusta o primeiro beijo, a primeira noite de amor.
E não temos primeiros beijos para o resto da vida, mas temos a euforia de embarcar e sentir no coração o palpitar da descoberta iminente.
De novas maneiras de acordar, de sentir, de falar, de olhar.
Até o pequenos prazeres se tornam grandes quando vestidos de mudanças.
Uma café da manhã, uma banho quente, uma corrida na rua.
Acredito que somos seres viajantes.
Acredito que já estivemos em outros tempos, lugares, dimensões e assim seguiremos até onde Deus sabe.
E por isso viajar nos desperta.
Visitar culturas diferentes nos faz sentir em casa.
Pois nossa casa já existiu de diversas formas.
Em diversos lugares.
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