terça-feira, 24 de junho de 2014

Amor não se vende


Quado estamos descobrindo o outro, cada mistério desvendado é fantástico. O tamanho das mãos, o formato do olho, como o cabelo cai na testa, como ele (ela) retira a mecha e coloca pro lado. A quantidade de pelinhos dourados nas pernas, a penugem escura que sombreia a mão de dedos fortes.
A paixão incandesce a alma e o calor que escorre pelo corpo, feito lava de erupção vulcânica, faz do sexo algo sublime, mágico, elétrico.
Por muito tempo.
Até que o tempo vem, daquele jeito que ele bem sabe, cuidar das nossas febres.
E ele é implacável e cura todas, mesmo aquelas que gostaríamos que continuassem à arder na pele.
Mas Deus é bom demais, mesmo a gente não sabendo reconhecer a bondade, pois sabe como é, o tempo Dele não é o nosso.
Então aquele tempo todo de febre vira amor. Mas entre dois que são mulher e homem, o amor ainda precisa de alimento, que não pode ser o mesmo que nutrimos os filhos, os pais, os amigos, esses afetos de longa data.
O amor ainda reclama por corpos despidos de roupas, por bocas que se beijam e mãos que se acariciam.
E é nesse exato tempo que o amor deve ser bastante cuidado.
O sexo.
E cuidar é o inverso de dar atenção desmedida, como damos à um recém nascido.
Cuidar é procurar a naturalidade dessa coisa boa e natural que está cheia de camadas de vivência e de hábitos que escondem cada pequena neurose de uma longa vida à dois.
Mais do que nunca, é a hora de não criar tempo, nem dia, nem hora, nem obrigação ou compromisso para algo que gritava na urgência do nosso passado.
É ter sensibilidade suficiente para saber que nada pode ser fingido para sempre, nem trocado, barganhado, vendido ou disfarçado.
Principalmente o amor.
Porque amor não se empresta, não se adia, não se justifica.
Amor é ou não é.
O afeto é rosa rara para esse tempo que arrefece tudo.
É não regar demais, encharcar com um regador distraído na mão enquanto olhamos a estrelas e não a flor.
Cuidar é saber trocar confidências, tão importantes quanto elogios.
Dizer como se sente, como se quer, como se imagina.
Para que esse tempo renasça todos os dias. Ou quantas vezes for necessário para resgatar e manter junto o que foi unido por um grande motivo.
E que só vai se quebrar por algo muito maior do que esse tempo todo que passou.

























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