sexta-feira, 27 de junho de 2014
Alfabeto de Gerações
Certa vez, um amigo perguntou: "aonde vamos parar, Mônica?"
Fiquei olhando pra ele, a cabeça trabalhando como motor de carro quando a gente pisa no acelerador sem engatar marcha. Não chegando à lugar algum, apesar de um desgaste grande.
Aonde?
As diferenças nas gerações sempre existiram, mas agora elas tem letras.
X, Y, Z.
Na minha época de juventude eram os velhos (acima de trinta), nós (até os trinta) e os bebês (até os dez).
Hoje, tem "velho" de quase quarenta morando com os pais, adolescentes de dezoito se mudando para morar com as amigas e curtir a vida, velhote redescobrindo a própria identidade.
Se querem minha opinião, digo: uma grande confusão.
Uma grande libertinagem no Tudo Pode, também.
Pode ficar usufruindo de comida e roupa lavada muito depois dos trinta, o que era uma pouca vergonha e vagabundagem e virou coisa normal.
Pode chegar ao segundo grau e decidir virar Eco Bag que adora um malabaris desde que a cordinha seja financiada pelos coroas.
Pode sair aos cinquenta "matando" rapazolas e menininhas porque é hora de tudo, antes do nada.
Os X querem viver bem com responsabilidade, os Y viver bem e os Z só viver de prazer, pois a vida é muito difícil com responsabilidades.
Então temos os X permissivos, os Y focados em si mesmos e os Z se perguntando o que existe além deles mesmos.
E a mulherada é a que sai perdendo mais.
As mães, por aguentarem um fardo que já deveria ter sido despachado, as solteiras por verem homens que se contentam com o pouco que dê pra céva e impossibilitam a probabilidade de uma vida à dois.
Enquanto as mulheres X sonhavam com um cara que as bancassem, as Y sonham com, ao menos, um que se banque e as Z estão muito preocupadas com os drinques que vão servir na festa, faça-me o favor.
E haja Rivotril pra tanta confusão.
E onde vamos parar?
O ser humano sempre inventou novas formas de contestar a sociedade e suas amarras. Muitas fizeram as pessoas evoluírem, acordarem.
O que me mete medo é que nenhuma até hoje foi tão focada no indivíduo, no narcísico e não no coletivo.
Não evoluímos como pessoas enquanto não nos enxergarmos parte de um contexto.
E uma frase não existe sem muitas letras.
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