quarta-feira, 18 de junho de 2014
Salve, salve a nossa escola.
Eu nunca soube ao certo se eram os pais lunáticos que se atraíam pelo colégio ou o colégio lunático que buscava um perfil parecido.
Mas perto, nem tão perto assim, de comemorarmos os trinta anos de formandos do Colégio Farroupilha, me sinto impelida, quase empurrada de volta à um dos períodos mais neuróticos da minha vida: àqueles 11 anos letivos.
Odeio auto comiseração, mas devo muito da minha loucura aos professores do Colégio Farroupilha. E aos meus pais que não me colocaram no Anchieta (melhor um pouco de maconha para contestar a vida, do que uma vida não contestada), onde eu poderia ser um pouco mais eu e menos o que esperavam que eu fosse.
O Farroupilha adorava monstros.
Adorava aluno competidor, mal, tendencioso, narcista, comportado beirando o nazismo.
Tive que viver uma das épocas mais rebeldes da minha vida para não sucumbir à névoa opressora e causticante que me impedia de respirar. Joguei cadeiras pela janela, usei calças furadas e remendadas, estudei pouco, falsifiquei a assinatura dos meus pais em bilhetes de atitude incorreta, colei nas provas e levei zero.
Fiz tudo isso para não adolescer e adoecer.
Ou se matar.
Como vários colegas o fizeram. Ou tentaram.
Radicalismo?
Sim, crescer é radical e crescer sob o jugo da incompreensão e da dureza é quase trágico.
Lembro dos professores estimularem a humilhação pública de quem tirava notas baixas. Lembro de vários alunos que balançavam as suas provas com a nota dez no ar e olhavam os outros como se olha um cão com fome na rua, não se gostando de cães.
Lembro de ser constrangida por uma professora de Português que tinha sotaque alemão (vejam só) porque usei um coque no cabelo, algo que ela justificou como sendo "O Penteado Novo que Atrapalhou a Minha Concentração", apenas porque perguntei aonde havíamos parado, na leitura do texto.
Mas se esperava que em casa, finalmente, se tivesse trégua de tanta exigência burra.
Mas a maioria não tinha, pois ser filho de alemães é tão difícil quanto estudar em uma escola da mesma origem.
Então as personalidades foram se lapidando para suportar tanta exigência. Ou não se lapidaram tanto assim e ainda se perguntam aonde deixaram a sua juventude estacionada, pois está na hora de manobrar e pular fora.
Antes tarde do que nunca.
Odeio auto comiseração, mas o Colégio Farroupilha teve um ensino forte, sim senhor. Tão forte que a digestão finalmente está sendo feita.
E as bruxas, fantasmas e dedos inquisidores estão ficando para trás.
Vamos festejar. Rir de tanta miséria disfarçada de altos índices de aprovação no vestibular.
Antes tarde do que nunca.
Vamos viver.
E superar.
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