terça-feira, 17 de junho de 2014
Nem sempre é para sempre.
Ele andava tão cansado dela.
Ela sempre rindo, mesmo do que não era tão engraçado.
A mesma camiseta com estampa de bicho, os cabelos crespos desalinhados, o pouco cuidado com as unhas.
Os dedos roçando as suas costas, sempre querendo afeto, conversas, sexo.
E ele andava tão cansado. Tinha tanto o que fazer, tanto com o que se preocupar.
E ela feito gata, se entrelaçando no seu corpo, sempre exigindo algo dele.
E agora o vazio.
Tudo que ele julgava lhe matar aos poucos era o que o salvaria da sua tristeza.
A voz, o riso, a falta de jeito com as coisas, a mão buscando a sua no meio do sono.
O espaço pequeno ocupado pelo seu corpo, aquele que lhe acolhia na imensidão de tanto desejo.
Ela sempre rindo, mesmo do que não era tão engraçado.
Ela sempre.
E agora a queria.
Para sempre.
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