sábado, 22 de fevereiro de 2014
The End
Existem coisas das quais estamos muito familiarizados, das quais gostamos muito mas que, de repente, queremos distância.
Geralmente quando o momento é especial, fragilizado, delicado ou sofrido é que os sentimentos e as vontades dão um giro e se tornam o avesso de um lado que sempre foi o direito.
Nas gravidezes tudo o que eu sempre amei comer virou a antítese do sabor.
Quando estou triste me recolho em um canto e sair para rua - algo que sou apaixonada - me enche de desânimo.
Tenho uma amiga à quem amo profundamente, mas que depois dela me colocar em muitas situações frágeis, delicadas e especiais, a sua voz passou a me causar arrepios e apesar de continuar a amando, a convivência se tornou insuportável para mim.
Penso que essa saturação amarga, essa ressaca de coisas e de pessoas é a resposta à um limite nosso não respeitado.
Depois de sofrer muito com as dores no meu pé, estou tendo um momento de timidez profunda em relação ao esporte que me dediquei mais do que todos: o tênis.
Mesmo sabendo que a corrida é muito mais prejudicial do que os pulinhos em quadra, me afastei da minha raquete ao ponto da minha bolsa criar pó, pendurada em um cabide na garagem.
Por que?
Nem eu sei.
As minhas tolerâncias infindáveis amanhecem em um ponto final e mal sei como tudo chegou à esse ponto.
Mas chegam.
E me assusto com os meus sentimentos decisivos, pois eles são definitivos enquanto duram.
Olho para a raqueteira de soslaio.
Sento para um café com a minha amiga e sinto ainda aquela felicidade inocente, mas não mais a mesma.
Ainda lembro do cheiro perfumado e doce do sabonete que eu amava, mas que me fazia vomitar quando estava grávida.
Penso que todos nós temos um limite imenso de "sims" ate que o "não" encerra, delimita e marca.
Mas quando o desejo de aceitar novamente voltar, ele pode até virar um "mais ou menos", mas nunca mais vai se parecer com o que era.
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