sábado, 8 de fevereiro de 2014

Presente Delicado


Me foram entregue.
Essas coisas todas que não compreendo, mas vieram embrulhadas e endereçadas àquela Vida que mora em tal endereço.
E casualmente era a minha.
O embrulho era bonito e só eu poderia saber o que fazer com o que estava dentro.
Mesmo não entendendo muito para o que servia.
Mas como eu estava com o coração bombando e minhas narinas aspirando o ar desse planeta neste exato momento, tratei de pegar no colo aquele presente.
Meio com medo.
Excitação.
Euforia.
Ansiedade.
E essa coisa linda, brilhante e pulsante me fez responsável.
Por tudo que a tornasse sempre polida.
Mas não era um paninho que lustrava a superfície fininha, delicada, densa, cheia de nuances.
E eu tive que descobrir como fazer reluzir esse material tão raro.
Muitas vezes fiquei braba com o remetente, chorei de decepção de ter nas mãos objeto tão delicado e complicado.
Quis devolver.
Quebrar.
Mas isso foi há muito tempo.
Quando eu ainda não sabia receber, pois não sabia dar.
Hoje ainda me surpreendo quando vejo certas fissuras que deixei passar.
Então, pego esse conteúdo que foi dado à minha Vida, no colo.
Olho cada arranhão.
Vejo que ele mudou de cor, de formato, mas ainda continua exato, como no dia em que me foi dado.
O acaricio, preencho as rachaduras com tudo o que tenho disponível.
E coloco no lugar.
Pois ele é meu.
Único.
Lindo.
Até o dia que se desmanchar.
E voltar a se reciclar.

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