segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ensina-me a Sentir


O nosso coração é muito poderoso.
Quando algo cai dentro dele, quente, espalhando promessas que viram endorfinas e adrenalinas na nossa corrente sanguínea, nada nos segura.
Danem-se as estribeiras, o bom senso, os pensamentos argutos e responsáveis.
Queremos Aquilo e ponto final.
Então, Aquilo se mostra escorregadio entre os nossos dedos, estranho, diferente das expectativas.
Mas vamos adiante, pois talvez o preço de se jogar no mar de promessas, afinal, nos venha em forma de êxtase, sucesso, veias renovadas pelo sangue novo.
Então, os naufrágios deixam seus náufragos à deriva, com aquele gosto amargo de "eu sabia, mas por que não tentar?" na boca.
E portas se fecham.
De negócios que tanto sonhávamos ter, de amizades tão promissoras, de aventuras, viagens tão tentadoras.
De paixões cegas de racionalidade e fartas de desejo.
Mas faz parte.
Quando a nossa lojinha decorada com esmero se encerra, com certeza outras começam.
A paixão que nos fez correr riscos, perder a fome e o tempo, não foi assim tão digna, mas ao menos, foi experimentada.
E tudo vale.
O que não vale é viver com os receios de que tudo possa diferente do que esperamos.
Porque a maioria é.
Mas quando não é.
Meu Deus.
Nossa alma se enche de fogos de artifícios e explodimos por dentro.
No bom sentido.
E são dessas explosões que vivemos.

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