
Morremos um pouco a cada dia.
Na existência da vida.
Quando se vê a silhueta conhecida embarcar para um destino longínquo.
Quando os filhos abandonam a fusão dos nossos corpos.
A nossa casa.
O aconchego do nosso abraço.
Morremos um pouco a cada dia.
Na despedida seca de férias doces.
No escorrer pelo ralo da água quente de uma banheira.
Que leva um pouco do calor sentido no útero.
Morremos um pouco a cada dia.
Na troca de endereço.
De trabalho.
No fim de um casamento.
Na palavra dita.
Dissimulada.
Na que encerra.
Na que limita.
Renascemos um pouco a cada dia.
Para a eternidade dos fins.
E a surpresa dos infinitos recomeços.
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