terça-feira, 13 de agosto de 2013

Meu Novo Trabalho.


O Mundo é cheio de preconceitos.
E como já disse uma vez, nada mais estagnante para a mente do que se posicionar perante algo desconhecido.
Como ser humano que sou, não estou livre de me pegar fazendo pré julgamentos, vez ou outra. Quase sempre me envergonho depois, exceto quando a minha intuição feminina acerta na mosca.
Pois eis que estou passando pelo mesmo crivo de quem não vê muito além dos olhos. Por que?
Porque resolvi trabalhar como babá de animais. Não é uma profissão, mas mais uma atividade na minha infindável lista de mulher inquieta que sou. E como acréscimo, pretendo faturar, algo difícil hoje em dia.
A primeira pessoa a se jogar no chão, com um terço na mão, balbuciando "não pode ser" repetidas vezes foi a senhora minha mãe.
Como uma mulher pós graduada, com livros publicados pode querer limpar a bagunça dos animais de outras pessoas? Ela disparou.
"Ah, não faz isso..." foi o jargão por semanas, até que o meu silêncio, por fim, silenciou as suas palavras.
Amigos me olharam com olhinhos argutos em meio à um "legal" cheio de duplo sentido.
Alguns conhecidos mandaram outros perguntarem se era verdade que eu, uma moça de família, havia decidido encarar um trabalho de peão de fazenda.
Muitos riram, achando que era piada e quando eu confirmei, fizeram um sorrisinho amarelo.
Tantos por aí devem estar pensando "coitadinha, que triste, não deve conseguir mais nada para fazer".
E o pior é que eles têm razão.Não tenho mais idade para me sujeitar à "trabalhos dignos" onde a exploração é velada, o salário é de fome, mas coloco minha roupinha da moda e almoço (por minha conta) na Padre Chagas.
E como já disse também, profissão para quem não protela os filhos é complicado e, com prazer, escolhi cuidar da minha própria prole.
Trabalho? Não tenho medo e já fiz um pouco de tudo na minha vida. O que não posso é ficar parada.
Enfim, estou diante de duas formas de preconceito enquanto cuidadora de animais: uma é que sou muito dondoca para assumir, outra é que é um trabalho muito indigno para se fazer.
Aos que realmente sabem como é bom conviver em uma ambiente de trabalho limpo de neuroses, de puxadas de tapete, de assédio moral, exploração, chantagem e stress, lhes digo:
Não existem chefes mais amados, sinceros, carinhosos, amorosos e divertidos do que os animais.
E isso tudo compensa qualquer tipo de bagunça.

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