sábado, 3 de agosto de 2013

Brilho


Éramos cinco.
Dois meus, dois um pouco menos.
Cheguei onde o meu coração tem uma casa de veraneio.
Soltei as guias.
Os quatro correram, livres.
Minha alma também. Se enroscou nas árvores, virou trinado de pássaro, chafurdou na terra e saiu rindo, suja de uma sujeira limpa.
Namorei um pouco com o sol tímido antes de beber um pouco de chuva.
Foi quando eles vieram.
Saídos do campinho de futebol.
Bola na mão, curiosidade nos olhos.
Entre oito e dez anos.
Também eram cinco.
"Que lindos."
"Como é o nome dele?"
"É uma menina." - já estou derretida, pois nada aquece mais o meu corpo do que a pureza da vida.
E a conversa sai tão simplesmente fácil. Meninos que acariciam pêlos, percebem quem é mais assustado, mais bobo, mais engraçado.
"São de raça?"
"Só essa."
Todos distribuem sorrisos.
Sorriso fácil.
Sem preço.
Sem retrancas.
Fico lá no meio de tanta coisa boa.
Infância, verde, bicho, vento, chuva, sol, inocência.
"Como é o teu nome?"
"Mônica."
"Puxa, foi tão bom ficar aqui contigo e com eles. Agora vamos voltar a jogar. Tchau."
Olho para lá. Para o campinho, na direção onde minha mão está acenando. Minha alma está fragmentada em cada menino, depois de ter sido planta e bicho.
Recuperei tudo o que perdi nesta semana.
Volto para casa brilhando.



Nenhum comentário:

Postar um comentário