sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Suave Embriaguez
Os índios usam muitas ervas - não se trata de manjericão ou orégano - para conversar com seus ancestrais e através do Pajé (aquele que as utiliza de verdade), entrar em uma especie de nirvana para elucidar os seus problemas espirituais.
A consciência humana pesa.
E ela pesa tanto que em determinadas ocasiões é preciso levá-la pelo braço, para um cantinho, para que ela nos dê uma trégua.
E o sono nos presenteia com inúmeras formas de descanso e de revanche. Desabitamos o nosso corpo e damos vasão à todas as maneiras originais de sermos, desde as mais brutais e traumáticas, até as mais idealizadas e prazerosas. Existimos de uma forma profunda e verdadeira nos sonhos e por mais que eles nos perturbem, é ali que mora a verdade. Talvez uma verdade passada, presente ou futura, mas uma verdade que nem nós mesmos temos coragem de encarar.
Nos liberamos da tutela da consciência, dormindo.
Acordados, temos alguns subterfúgios.
Alguns atravessam mares à nado, correm à exaustão, saltam de pára quedas, ficam sem ar escalando montes gelados.
Buscam nos primórdios da raça humana (quando a endorfina e a adrenalina eram quesitos para sobreviver, visto que atravessar um rio para buscar alimento era algo diário) uma fonte de reencontro.
Acredito que o vinho ( gim, whisky, vodka, cerveja) tenha um semelhante poder.
Ele quebra certas camadas que se sobrepõe à superfície e penetra na parte que escondemos ao Mundo.
Como dreno, busca lá de dentro as putrefações (ou alegrias) escondidas pela infecção da vida.
Porque o peso imenso da consciência se dissipa através da leveza suave da embriaguez.
Da embriaguez suave.
Aquela que acorda, não a que faz dormir.
Aquela que pega os sentidos desprevenidos e os deixa alertas e radiantes.
Aquela que nos faz enxergar a imagem certa no espelho, que expurga as vontades pra fora e nos pergunta quando vamos dar um jeito de atendê-las.
Aquela que revela a raiva ou o amor.
E por mais pecado que seja.
O vinho (gim, whisky,vodka, cerveja) nos aproxima do que somos.
E, que Deus me perdoe, ajuda a ter mais coragem de confessar os nossos pecados.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário