As minhas maiores dores são as alheias.
Não quero me vender como alguma Madre Teresa de Calcutá, mas estou sendo absolutamente sincera.
Criei, desde pequena, tantos atalhos para desviar do que me machucava que escrevi um labirinto de saídas para a minha própria infelicidade.
Como já disseram os profissionais da mente com quem conversei: "És uma sobrevivente."
Consigo me resgatar de todas as formas possíveis quando sou eu quem está em um barco afundando.
Quando se trata de uma vida que não é minha, me entrego, amoleço, sucumbo.
A dor de quem estimo me corrói feito ferrugem, me rasga a alma feito navalha afiada.
Pereço com tamanha força quando vejo o sofrimento no outro, que corro o risco (e não só risco, mas realidade) de sofrer mais do que quem sofre.
Não somente gente, nem bicho, mas planta, ar, água, harmonia, equilíbrio.
Murcho com cada flor que vejo se desidratar sem cuidados.
Fico louca quando o tratamento à vida, se manifeste ela de qualquer forma, é cheio de negligência e descaso.
E sofro, sofro muito com dores que não são minhas por direito, mas são veias que carregam o meu sangue.
Sangue que foi doado pela minha necessidade de me sentir viva através da vida de tantos.
Mártir?
Não.
Talvez até egoísta, pois sei que não sou nada sem o restante de tudo.

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