segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vem Comigo



Vou viajar.
De mãos dadas com a minha alma, vou dar uma volta egoísta, só pensando em nós duas.
Vamos esquecer as misérias do mundo e vamos tratar de olhar mais de perto as nossas alegrias e as nossas próprias misérias encobertas pela rotina que esmaga.
Vamos passear, eu e ela e vamos poder escolher para onde e esse onde vai ser cheio de árvores e flores e sol e ruas iluminadas por lampiões onde sentaremos, ao barulho dos grilos da noite.
Sem ninguém seremos histórias genuínas, contadas sem medo de sermos mal interpretadas, pois sabemos que dizer tudo que fere e entristece, para nós, é apenas desabafo. Para o próximo é acusação velada.
E não vamos ter vergonha de dizer que estamos cansadas, mesmo sabendo que temos força para dar conta de tudo. Vamos entender que a força que usamos para erguer uma pedra não é a mesma que usamos para criar um desenho e que os braços cansam de fazer sempre os mesmos movimentos.
Então, vamos poder chorar choros bobos e rir risos altos e dizer o quanto nos achamos bonitas e feias, completas e inacabadas e como podemos ser gigantes, mesmo depois de um dia em que fomos pequenas.
E depois de tudo, de conhecermos cada lampejo no olhar, cada sinal que emana felicidade ou tristeza, vamos embora.
Tendo nos dado a chance de sermos nós mesmas é que estaremos prontas para voltar para casa.
Porque saberemos quando for a hora antes que ela chegue e não precisaremos mais fazer as malas.

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