Algumas inacabadas.
Sacudimos de leve o copo e no movimento do líquido espesso e vermelho, deixamos nossa alma sair para dar um passeio, sentar-se conosco, olhar nos nossos olhos e perguntar brincalhona "Como anda a vida aí fora?".
E a cada gole vamos ficando mais próximos dela, permitindo que ela nos conte um pouco mais sobre as coisas, já que andamos sem tempo de parar para ouvi-la.
É o momento de permissão ao sossego, da interrupção da pressa, pois vinho não se bebe rápido.
Se bebe deixando cada gole repousar na boca, feito beijo com promessas silenciosas.
Ele pede calma como amante apaixonado e dedicação no ato de amá-lo. Ele nos coloca sentados e nos diz para deixarmos para lá tanta coisa que não tem importância. Nos diz para ficarmos um pouco mais perto de nós mesmos, abrindo brechas para escutarmos com calma, as vozes do nosso silêncio.
Nos dá trégua, prazer, rendição, conforto.
E mais do que matar a sede do corpo, ele nos despe e desarma.

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