domingo, 7 de outubro de 2012

Que Venham os Anos

Eu gosto demais de envelhecer.
A alma.
O corpo paga um preço salgado, mas o espírito nem se importa tanto.
Porque olho para trás e vejo que mesmo eu estando tão cheia de viço, a tranquilidade de hoje era fugidia e arisca, na necessidade de beber goles largos da vida.
Eu era promessa de tantas coisas que não tinha tempo de agradecimentos e reconhecimentos dos meus milagres diários.
Porque não me bastavam as ondas, eu queria o oceano.
Nada era suficiente na minha exigência de quem experimenta a sensação de um futuro inteiro à frente. Eu pensava poder tudo com minhas asas de juventude, que consideram cada vôo mais importante do que o destino.
Hoje, tenho carinho pela pessoa que fui, pois sei o quanto foram tão lindos quanto duros os primeiros amores, decepções, empregos, desafios, estudos, metas, conclusões.
E por ser compreensiva com o que fui, aceito o que sou.
Pois entendo que daqui ha vinte anos estarei olhando condescendente para a pessoa que sou hoje e pensarei novamente:
Eu gosto demais de envelhecer.
A alma.
Pois foi esse envelhecimento que me fez entender como foi importante chegar aonde cheguei.

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