quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Obtusos

Quando penso que sei, o saber escorre feito água, esfriando meus dedos que se contentam em fechar-se.
Pensei que soubesse um pouco, mas me engano nesse jogo chamado vida.
Errei as cartas.
Sou ingógnita e Coringa para mim mesma.
Sou capa ilustrada com nuvens cinzas e densas para tantos e acreditei ser flores coloridas de azul turquesa.
Queria ser contos de fadas, mas me descobri drama. Ou, talvez, me descubra comédia, depois de alguns anos, quem sabe?
Tantos carrascos que já juraram serem pais protetores. Tantos cárceres confundidos com lares, madrastas malvadas com mães de verdade.
Quem somos nós, quem és tu?
Talvez estejamos todos longe do que achamos que somos e nosso pecado ou acerto seja maior do que julgamos, pois os espelhos andam obtusos e os angulos não podem mais ser medidos com precisão.
Nada mais é claro, específico. Tudo depende do ponto de vista e o ponto de vista anda bastante flexível.
Porém, me acostumei com peças quadradas que se encaixam em buracos quadrados também.
Perco o foco quando o quadrado pode ter cada canto um pouco lixado para se fazer caber em orifícios redondos.
Porque me é difícil aceitar que sou verde quando nasci para ser vermelha.
Culpa dos outros?
Não, apenas da minha limitada capacidade de aceitar que a imagem que vejo no espelho não é o real reflexo do que sou de verdade.

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