quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Circo
Necessito de boas doses de malandragem para caminhar na corda bamba do mundo.
Sou equilibrista que só tem olhos para os que me aplaudem na alegria do espetáculo e esqueço dos que torcem para que eu escorregue e caia.
Sou velho palhaço que ainda espera salvar crianças com sorrisos, não percebendo o ceticismo e o cansaço dos que levam pela mão seus filhos, apenas pera preêche-los de horas seguidas.
Quando ouço que acredito demais nos aplausos e na confiança dos olhos que me fitam, perco um pouco a esperança e quase esqueço de manter no ar minhas bolinhas coloridas que voam, giram e vem descansar, uma a uma, nas minhas mãos interrompidas.
Não quero aprender desta malandragem que dizem se esconder lá fora. Já a vi, confesso. Já a conheci e apertei-lhe a mão, convidei-a para dividir uma bebida quando vim descansar no meu canto. Não tive medo, mas esta malandragem é tão boa em disfarces quanto qualquer personagem de circo e faz muita coisa ruim para poder ter mais luzes direcionadas para ela.
Não me importo. Sou feliz sendo a bailarina que monta a cavalo, o trapezista, o mágico.
Porque o que me enche de vida ainda é a ingênua alegria que sei brotar dos muitos corações que, do jeito que sou, faço parte.
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