sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Cortina de Estrelas


Ando tão cansada de más notícias que resolvi obedecer ao poeta e olhar para as estrelas.
Não só para as estrelas do imenso céu, mas para as que brilham em cada pedacinho do meu ser.
Eu sei que tudo anda complicado, que essa violência/insegurança/política afoga a esperança na água turva de engodos e danações, mas vivo uma vez só e não quero passar a vida rangendo os dentes quando posso mostrá-los em sorrisos.
Meu pescoço é flexível e posso girá-lo em direção ao ressurgimento da primavera, ao invés de me maltratar com as mazelas da cidade em que moro.
Preciso beber uma dose de alienação para não corromper meu espírito e azedar minha aura. Preciso, vez ou outra, pegar minha melancolia pelo braço e arrastá-la para o castigo do quarto, deixando espaço para tantas coisas pequenas e grandes que enfeitam a minha existência.
Quero cozinhar com um copo de vinho ao lado, gargalhar ao ver as estripulias dos meus cães, comer trufas de chocolate de olhos fechados, deitar em lençóis com cheiro de passados, abraçar os corpos que já carreguei dentro de mim, beijar devagar os lábios que já sei o gosto, deixar a água quente do chuveiro bater nas minhas costas suadas, depois da corrida, ver a alegria do carroceiro ao receber uma sacola de roupas.
Vou ser um pouco surda para o ruim, mesmo que ele me mantenha informada sobre os andamentos do mundo. Vou considerar uma cegueira temporária para tudo que não me enleve a gratifique. Tornarei bem-vinda a ignorância, ao menos que o saber seja relacionado à alegria.
O céu sempre se cobre de densas nuvens e os temporais são inevitáveis, por isso hoje eu quero uma cortina de estrelas para mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário