quinta-feira, 10 de julho de 2014
Bicho do Mato
Quando eu tinha quinze anos lembro da minha mãe perguntando o porque de eu recusar todos os convites para a noite.
Ela tentava me empurrar para a balada e eu declinava.
Sempre detestei a vida noturna e a encarei (mais vezes do que eu gostaria) para poder encontrar o cara que eu estava à fim, para me enturmar, fazer parte do bando e para me sentir normal.
Na praia sempre era mais admissível se entregar aos prazeres (?) da noite, visto que as férias, a pele queimada do sol e o calor eram bons motivadores para a ala dos notívagos, mesmo os menos dedicados.
Porém, nas bandas de Torres e Atlântida a noite começava lá pelas onze (um pré no Luz do Sol ou no Bali Hai ) com a famosa esticada na SAPT ou SABA e inicio previsto para a uma da matina.
A minha vontade de sol, bike, caminhadas e mergulhos não suportava tamanho abuso.
Mas dos dezessete aos dezenove, fiz o possível.
Porém, agora quando não devo quase nada para poucos, me abstenho desses encontros, geralmente regados à muito álcool, muitas revelações de eterna cumplicidade, muitos elogios, abraços, beijos e risadas tão verdadeiros quanto as promessas do políticos em época de campanha.
Me nego.
Se desfruto de um gostoso jantar com aqueles que sei serem meus de verdade, saio desse encontro feliz e revigorada. Fora isso, dispenso.
Quem me conhece, sabe.
Não vou à coquetéis, nem desfiles, nem chás. Não gosto de festas, nem de dividir brindes com um monte de gente que não sabe nem a minha cor favorita.
Sou arisca, anti-social se preferirem assim.
Preciso mais do que uma taça de champanhe e um prato gostoso para me fazer feliz.
Preciso me sentir em casa. Com sintonia de assuntos, interesses e afins.
Caso contrário a minha caverna é o melhor lugar para fazer eu me sentir bem.
E sem a necessidade de mostrar os dentes em um sorriso que, na verdade, é um rosnar.
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