Dizem que quando se casa, não se casa somente com a pessoa escolhida, mas com a família dela.
Penso que cada caso é um caso, visto que muitos fatores como geografia, incompatibilidades e preferências podem fazer com que desejemos manter uma distância segura do ninho onde nosso amado nasceu.
No meu caso, fiquei comprometida na hora do sim, tanto com o moço quanto com a sua imensa família.
Começando justamente pelo tamanho - adoro famílias grandes. Sou louca por festas de Natal cheias de crianças berrando, idosos sentadinhos observando, gente falando alto, árvores gigantescas com pilhas de presentes em volta, cada um sendo entregue em meio à uma salva de palmas.
E sou completamente vendida para a alegria. Passo a vida farejando pessoas alegres e as perseguindo como um Perdigueiro em dia de caça. Fujo de ambientes pesados, pessoas pessimistas, hipocondríacas e, acima de tudo, briguentas. Tenho verdadeiro horror à bate-boca, grito, discussões em horas erradas, barraco. Horror.
Na família do meu marido encontrei esse algo que eu não possuía, aquela pecinha do quebra-cabeça que faltava para completar a minha paisagem interior.
Aos vinte e três anos mudei radicalmente de vida. Casei em agosto e em janeiro já segurava uma menininha doce e rosada nos braços.
A sensação que tinha era de como se uma mão gigantesca tivesse me tirado do mundo real e me colocado em um outro lindo, assustador, desafiador, totalmente novo.
Minha mãe saiu da praia para me dar um olá no dia do parto e retornar no outro, pois sabe, tinha lá seus compromissos aguardando. Eu senti um desamparo tão imenso que sentia como se alguém agarrasse o meu coração e o apertasse com força.
Quem me acolheu, por quinze dias em sua casa, foi a minha sogra. Ela que se levantava nas madrugadas, os translúcidos olhos azuis semicerrados de cansaço, tentando ajudar uma mãe que se apavorava fácil. Ela que preparou imensos copos de Ovomaltine com torradas e me levava de bandeja, antes da mamada da tarde.
A minha cunhada, depois de ter me colocado na banheira quando as contrações de parto eram insuportáveis, me serviu de irmã, professora, arquiteta, pedagoga (profissão que tem) e amiga, quando finalmente fui para casa.
São tantas as coisas que todos fizeram por mim, no decorrer desses 25 anos, que não tenho espaço para descrevê-las.
Apenas posso dizer que nossas energias se entrelaçaram e se fundiram de uma maneira serena e iluminada.
Tivemos nossos momentos nem tão perfeitos, mas eles fizeram parte do amadurecimento de nossa relação como família.
Por isso, ontem quando, em mais uma visita cheia de novas e antigas histórias, minha sogra me abraçou e brincou dizendo que gosta mais de mim do que do filho, quando ela me abraçou dizendo que me considera uma filha, não me senti estranha, mas feliz.
Aquela felicidade familiar de uma criança reconhecendo o amor de sua mãe.

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