terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Fêmea


Gosto de ser mulher.
De lamber cria, de ter colocado no colo, embalado perto do seio para dormir.
De ter olhado de perto o sentar, engatinhar, caminhar. De ter levado e buscado na escola, de aceitar ter sido rival para deixar que ocupassem o seu espaço, de ser secretária particular.
Gosto de ajeitar a casa, molhar o jardim, fazer uma receita nova, de servir à família e regá-la com a vida que almejo ter. Juntos.
Recriei profissões e as fiz mais flexíveis para que as férias não fossem motivo de discussão, para que eu fosse a base de uma construção que não se compra, não se vende e não se empresta. 
Protelo as minhas alegrias, pois sei que elas vem mais brilhantes quando seguem os sorrisos que tanto amo.
Já fui de tudo para que o plano que brotou do coração tivesse mais espaço que aquele que nasceu da mente.
As Mulheres Homens de hoje me assustam na sua busca frenética por fugir de sua própria feminilidade.
Protelam, delegam, para lá adiante tentar resgatar o que perderam.
Porque perdem, apesar da cabeça erguida, apesar das roupas caras, do carro, da posição de predadoras sexuais.
Porque o Lá Adiante chega quando a fugacidade da juventude for percebida.
E então, algo irá faltar.
Aquele algo que não se tem, quando o pensamento foi uma vertente individual.
Aquele algo que não se tem quando se pensa que se é dono do tempo.
Pelo menos, quando não der mais tempo, eu saberei que perdi e ganhei, mas não neguei que vim para amar.
Como jornalista, como filha, como mãe, como esposa, como publicitária, como amiga.
Mas acima de tudo, como mulher.


Nenhum comentário:

Postar um comentário