terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2014


Mais uma vez aquela data em que a gente tem que se sentir com esperança.
Mas esperança não tem data nem hora marcada, é coisa quente que desce derretendo a frieza da vida e enche o nosso corpo de futuro.
O ano vai mudar e todo mundo vai beber para comemorar, tudo ensaiado feito enredo de escola de samba.
Mas naqueles dias onde o ano não termina, a vida é mais ou menos ou não?
Escolhemos o caminho que queríamos ou só vamos, assim, caminhando feito zumbis naquela marcha imposta pelo roteirista do filme?
Que pode ser o nosso chefe, a nossa esposa, a nossa mãe, o nosso "carma".
A hora de ser feliz não é agora.
É sempre.
Tanto faz se a cor é azul, branca ou dourada, nada muda sem o nosso consentimento.
Os foguetes, os litros de álcool, a torração da pele na beira da praia e a comilança não são amuletos da sorte, não senhor.
Tudo vai ficar igualzinho, a não ser a nossa barriga e a sujeira na areia.
E se é preciso mudar, que mude!
Mas não hoje.
Nem amanhã.
Mas dentro.
Onde o verdadeiro show acontece.
Ou não.
Esperando mais um final de ano para encher o copo de promessas vazias.

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