terça-feira, 23 de junho de 2015
Minha Praia
Existe essa praia.
Onde caminhamos solitários e afundamos os pés na mesma areia que dividiremos passos.
Com aqueles que caminharam antes ou depois de nós e deixaram lá suas pegadas e impressões e sentimentos sobre o mar.
Existe essa praia.
Com mar revolto e escuro, cristalino e calmo, frio e morno.
Uma praia onde todos passam, brincam nas ondas, se afogam, deitam ao sol, queimam a pele, aproveitam a brisa e correm, apressados, do temporal que vem sem aviso.
E depois de chorar por aquele que foi entregue ao oceano, de curar o inchaço da pele vermelha e ardida, de descansar das braçadas e das brincadeiras e das pernas cansadas de escalar a areia, voltamos para mais um dia.
Caminhando ao lado de alguém ou apenas caminhando para si.
Relembrando o dia de ontem, tentando prever sinais de climas bons ou ruins pela frente.
Se guardando do sol, se abstraindo do agito com a fuga temporária na página de alguma revista.
Mergulhando sem respirar por tempo demais, para se sentir vivo o bastante ao engolir com força o ar, ao voltar.
Se arriscando em se precipitar ao fundo, sentindo alegria imensa em se afastar ao máximo na intenção de vê-la de longe.
Essa praia que é a mesma.
Mas que parece tão grande ou pequena, tão linda ou comum, tão solitária ou tão cheia de buzinas, gritos e risadas.
Que é tão nossa quanto de todos.
Mas que mora única dentro de nós.
E sempre irá morar.
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