domingo, 21 de junho de 2015

Certos Lugares Escuros


Mesmo com o sol brilhando, certos lugares permanecem escuros.
Esquinas e cantos que abrigam derrotas.
O dia era lindo na intenção de amenizar o frio intenso.
Calçadas cheias de mantas em voo, óculos escuros, botas de cano longo.
A pressa de abraçar sucessos acelerando as batidas dos saltos, esvoaçando os cabelos.
A vida seguindo no sol e no frio.
Ele ali.
No meio do frenesi bonito das roupas de inverno, na cama improvisada, no recuo da calçada, na porta de entrada de algum comércio que deixou o sucesso de lado, enfim.
Ele ali.
Com uma juventude e uma loirice que não combinavam com os olhos inchados, a pele curtida do sol, com o abandono e a miséria.
Naquele lugar escuro. 
Em um dia cheio de luz.
Ele que teve alguém que o embalou no colo e pensou em um nome para combinar com as penugens douradas da cabecinha de bebê.
Mesmo em um amor que pode ter durado apenas horas e revoltas.
Mas que lhe deixou um Fernando, Marcelo, Adriano, Lucas, Pedro, para existir.
Nasceu para viver na claridade quando a mulher lhe deu luz.
Essa luz que não mais lhe pertence e que o faz invisível na multidão que caminha e que também tem um conjunto de letras para se definir.
O dia era lindo na intenção de amenizar o frio intenso.
E eu o vi.
Não sei o que fazer com isso, Fernando, Marcelo, Adriano, Lucas, Pedro.
Eu também, muitas vezes, sinto que não sei o que fazer com o Mônica que me faz estar aqui.

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