quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Vinho Tinto


Tenho uma profunda admiração pela jornalista Mariana Kalil, pois, além de inteligente e talentosa, ela tem algo que considero imprescindível em um ser humano: senso de humor.
Ela me faz mais feliz com os diálogos engraçados do Bento e da Olívia, com os assuntos pertinentes e o posicionamento leve em relação à densidade do mundo.
No "Por Aí" do dia 3 de agosto, ela abordou um tema que já me tirou muito o sono, ou melhor, já me fez acordar de sobressalto, pela manhã, ao lembrar o número de calorias que ingeri ao me entregar aos prazeres do vinho tinto.
Ela termina a coluna com o Bento dizendo que não se pode ter tudo nessa vida. 
Ele tem razão, mas do vinho tinto não abro mão.
Já passei por todas as fases de negação, inclusive aquela mais humilhante que consta em aumentar cada vez mais o tamanho da taça para enganar à si mesma e acreditar que se está na medida padrão de saúde.
Quando não encontrei mais no supermercado uma taça que coubesse uma garrafa, tomei vergonha na cara e assumi a minha dependência dessa bebida quente, vermelha, encorpada, aveludada como a paixão.
E depois do meu terapeuta garantir que a minha sede é inofensiva - "Ele atrapalha a tua vida? Tu deixa de fazer coisas por causa do vinho? Tu compra compulsivamente? Joga? Fica fora de si? Bate no marido, cachorros, filhos, Calopsitas?" - diante da minha negação às suas perguntas clínicas, relaxei.
E quando relaxei, até passei a beber menos, vejam só. 
Agora, quanto às calorias, sim, me preocupo e procuro beber menos do que gostaria. 
E adoro a lei da compensação. Carboidrato com vinho, à noite, nem pensar. Só em dia de festa e olhe lá.
A vida é curta, todo mundo sabe, então acho bem interessante cada um escrever em um bloquinho as suas prioridades e tratar de olhá-las, de vez em quando, para ser mais feliz.
Ter aqueles dois quilos a mais ou correr 24 quilômetros por semana é melhor ou pior do que parar de beber vinho?
Muito melhor.
É isso aí, Fofo Bento, não se pode ter tudo nessa vida.
Mas do vinho tinto não abro mão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário