Porque a pessoa que ouviu o meu desabafo acredita que para se estar cansado é preciso ter escalado o Everest, escrito recentemente um livro vencedor do Pulitzer ou ser presidente da Petrobrás.
E assim é.
Também não se pode ser feliz por merrecas, caso contrário nos olham atravessado, pois feliz é quem ganha milhões, dá a volta ao mundo, é branco, culto, dá palestras internacionais e ainda tem tempo de ser comercial de margarina.
Tampouco a tristeza pode vir assim do nada. Para a opinião pública temos que ter perdido muito, caso contrário é depressão e taca-lhe remédio.
Puxa, fico cansada, triste, feliz, P da vida e não preciso ficar por aí justificando os meus sentimentos ou provando "Sim! Eles são verídicos, acredite, por favor, eu os sinto!"
Eu sinto e ponto.
E não preciso atravessar uma tragédia avassaladora, um Tsunami, para me sentir desanimada, desesperançosa, acabada.
E não preciso ser britador para me sentir demolida pelo cansaço.
Não preciso ganhar na Loto para me sentir muito, mas muito feliz.
Só eu sei o que sinto e, infelizmente (ou felizmente, sabe-se lá), somos solitários nos nossos sentimentos mais profundos.
Cada história traz uma carga e essa carga é responsável pela nossa reação em relação aos acontecimentos cotidianos.
Quem julga é pequeno, pois só enxerga a sua própria história e só aceita o que percebe como normal.
Quem julga, procura diminuir algo que não quer fazer parte, pois fazer parte gera um ônus e ônus é algo que ninguém quer hoje em dia, principalmente afetivo.
O pior é quando se diz o que sente e o outro diz que sente o dobro e ainda justifica com medalhas de honra ao mérito, tentando diminuir o que sabemos existir dentro de nós.
Aí, fica praticamente impossível.
A nossa sensação de solidão apenas aumenta, porém nunca devemos subjugar o que nos passa no coração e na alma.
O choro é bobo?
Não para nós.
A tristeza é infundada?
Não para nós.
Rimos feito crianças?
Não nos parece, pois cuidar de si é prestar a atenção a cada pedacinho da nossa existência.
E nunca ninguém irá nos compreender como nós mesmos.
Por isso em cada cansaço, alegria, tristeza, euforia não precisamos do aval de ninguém.
É sentir e ponto.
E quem, ao menos, não é capaz de nos ouvir, não é merecedor do que sentimos.
Mais cedo ou mais tarde.

Nenhum comentário:
Postar um comentário