segunda-feira, 7 de abril de 2014
Salto Alto
I've been there.
É que os americanos dizem quando sentem empatia com alguma situação ruim que alguém está passando.
Já estive lá, nessa situação caótica em que você está.
Mas que sapatos você estava usando?
Como assim?
Assim.
Os seus caminhos foram pontilhados de pedras pontiagudas em um momento em que, puxa, você estava descalço?
Ou deu aquela vontade danada de calçar as suas botas de alpinismo e casualmente apareceram alguns buracos no seu caminho?
Sempre foi mais fácil resolver o problema alheio do que o nosso, por que será?
Porque um filme de vida visto apenas através dos olhos e da interpretação livre dos fatos, se torna singelo, pueril, fácil de lidar e interpretar.
Mas nascemos com os pés descalços e nossos pais, professores, amores, afetos, amigos tratam de construir com esmero a nossa capacidade de construir calçados que nos darão suporte para os tantos solavancos e pisos instáveis.
E na maioria dos casos esses sapatos são frágeis e descartáveis.
E o que acontece depois é que se arruma um jeito de não sentir dor.
Pisando de leve.
Chutando obstáculos.
Não caminhando.
Correndo.
Tendo formas de massagear os pés, enquanto não se tem a fórmula de se ver livre da limitação que nos impede de avançar.
Cada um um tem um sapato.
E não devemos julgar quem nunca gostou de andar de salto.
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