Deite no chão.
Qualquer chão que permita ver o céu e que ele esteja livre das chuvas.
Somente por hoje.
Que ele esteja recortado pelas árvores e com as nuvens caminhando com pressa.
O Mundo é esse.
Deite em um chão macio de areia, de grama ou resistente como as calçadas que fomos nós quem fizemos.
Pense.
Peça.
Que o Mundo seja ele mesmo.
Peça.
Para Ele.
Que cuide do que foi feito.
Com amor.
De tudo que tem sido apagado com a borracha da crueldade. Da ganância.
Da incoerência.
Não pode restar um vazio branco depois de tanta beleza.
Não pode.
Mão perversas e ímpias não podem ter a permissão de rasurar uma obra tão profundamente linda.
Apaga essas mãos.
Pai.
Que rabiscam e borram o Teu desenho tão magnífico.
E impedem que os traços que se preenchem de cor e de vida se façam perenes.
Se façam o que vieram fazer.
Ser obra de arte.
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